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15 de dezembro de 2010

Aguardo

Os professores falam sobre revoluções, mudanças e dissertam longas horas acerca da coragem que devemos de ter. Os políticos, por sua vez, insuflam o peito sobre as reformas sociais, jurídicas e de moral de extrema necessidade. Os comunistas defendem a ausência dos males da dominação, e os filósofos decorrem sobre as tecnociências que metrificam, dirigem, corrompem e constroem a sociedade, ou aquilo que assim chamamos.
Os comerciantes defendem a usura, ainda mais a  praticada de maneira a sonegá-la. Os pesquisadores buscam a cura de todos os males. Os historiadores tentam nos retratar a origem do mal, e os filósofos querem entender a razão de todas as coisas.
Os biólogos querem salvar as baleias, a camada de ozônio e o mico-leão-dourado.Os pacifistas querem o caminho para a paz mundial. Os astronautas querem ir a marte e os alquimistas querem a pedra filosofal.




Eu? Por hora largo todas as causas urgentes da humanidade, me sento na cadeira de balanço da varanda, olhando o sol se por como se fosse a primeira vez. O que espero?
Espero que corra no meu sangue aquela sensação, tão simples, tão boa, aquela sensação indispensável que me dá a certeza de estar viva.



Espero a poesia voltar pra mim.



Ah, poeta vagabundo... Quanto tempo achas que conseguirás ficar calado?

25 de agosto de 2010

Procura-se

Procura-se um poema.

Perdeu-se na rua talvez, ou numa praça
ou em um parque qualquer.

Visto pela última vez pela mãe,
enquanto caminhavam com papel e tinta.

A mãe sofria de "descriatividade"
mal crônico de nossos dias.
Mas queria a toda força parir um poema
e emprenhou-se a todo custo,
engoliu as palavras todas,
gestacionou-as todas aglutinadas,
num útero atolado de preposições.

E agora tinha isto:
um muito de nada, obsoleto
agrupado
amontoado
bagunçado.
Palavras juntas sem sentido
empurrando pra sair.


E na hora de despejá-lo fora
de dar luz ao filho-poema
o menino filho de uma insônia
deu com as pernas na rua
e ganhou o mundo.



O poema soltou a mão da mãe
e fugiu desvairado
procurando quem melhor sortilégio lhe desse
quem tivesse rimas mais ricas
ou melhores preces.

O filho-poema tinha fugido
ou se perdido
estava desencontrado de suas mãos.

Então procura-se um poema
um poema pequeno
de olhos vivos e narizinho arrebitado
de cabelos luzentes ao brilho do sol.

Pode ainda conter vestígios de sangue
pelo sofrimento do parto.

O dito cujo é meio tímido
um tanto franzino
um poema de poucas palavras.

Não o procurem em audições
nem em aplausos
nem em saraus.
Este poema não é destes.
É um poema simples,
que nem bebe nem fuma
nem se mete em confusão.


É um poema precoce
que em seus poucos dias de vida
sabe bem mais que eu em meus vinte e poucos anos.


Se alguém se comover
e meu filho encontrar
faça o favor de lhe dizer
que volte nem que seja pra me dar
o consolo de ver que posia eu ainda sei gerar.

16 de julho de 2010

Meu próprio Manifesto Antropofágico


E o que importa se meus versos são tristes?
Se deixo escapar por eles as dores de um peito confrangido
de espinhos e mágoas?
Que importa se eu carrego esse sentimento do mundo
Que não me deixa dormir ou sonhar
enquantro travo diálogos monologados
com meu eu escondido?

Que importa se sou consumida por essa doença interior
de melancolia andante
devorada lentamente por esses insetos famintos?
Abaporus que crio na fazenda do meu quintal.

Que importa se me devoro pouco a pouco
com a graça e o pudor de quem manja uma sobremesa
um tanto acre, um tanto doce
à qual falta um pouco de sal?

E levo a vida com o peso da mala atada às costas
onde carrego tudo que já pude sentir
tudo aquilo que me trouxe até aqui.

E daí que eu chore?
E daí que eu seja triste?
E daí que meus versos chorem?

Devoro a mim mesma
numa autofagia assassina de mim.
E o que importa se meus versos são tristes?

8 de julho de 2010

Esconderijo

Silêncio.

Neste fim de mundo só escuto o ressoar
dos meus passos contra o chão
de mármore frio.

Fico aqui,
onde até a morte esqueceu como chegar
e permaneço vivo como castigo
por ter lhe fugido
até onde ela não me pode achar.

A morte me procura
quer me estragular
me matar lentamente
como a me punir por lhe enganar.

Mal suspeita ela
que morto já estou, embora vivo
que morri na justa hora
que se foi o que eu tinha sido.

19 de junho de 2010

Parto

Preparo um poema
como quem arruma um quarto
olho em cada canto
aprumo cada quadro
num trabalho interminável
recomeçado a cada dia
em cada canto,
em cada quadro.

E espero seu fim
como quem espera o parto
com dor, com ânsia
desejo vê-lo pronto,
nascido, perfeito
sorrindo
recém-saído meu nanquim procriador.

Escrevo um poema 
como quem prepara um perfume
escolhendo essências doces
e aromas acres.
Um processo de alquimia.

Escrevo um poema
como quem planta flores
sujando as mãos no barro
esperando botões em flor.

Não preparo um poema perfeito
não calculo meus versos,
não metrifico
não me limito
[não sei comedir].

Não vou me render à objetividade.
Não há literatura denotativa
somos subjetivos todos:
eu ao fazer
você ao ler
ele [o poema] ao se declamar.

Quem de nós o mesmo irá dizer?

O som do poema ao se dizer
não é o meu ao lhe conceber
no vãos sombrios do meu útero progenitor.
E o que você vai decifrar, por vezes
vai te perder nos alcances
das mensagens que criador e criatura não trazem
[ou trazem?]

E assim preparo um poema
indecifrável
antes mesmo de nascer 
condenado
a nunca ser entendido
a nunca ser visitado
na sala de parto.
Um filho rejeitado.

Ainda assim, preparo um poema.
Meu poema-órfão.

14 de junho de 2010

A Ela

Mandem-lhe este recado de tamanha urgência.
Digam-lhe que não irei, que hoje não irei
Que já não me é possível ir
Apesar de muito querer.
Que é grande meu penar,
mas hoje não posso ir.
Que hoje não a verei.
Que me é impossível lá chegar.
Digam a ela que hoje eu não posso ir.

Digam-lhe que há crianças morrendo de fome no caminho até ela.
E mulheres que choram os maridos que foram para a guerra.
E certos jovens apaixonados que foram abandonados
acometidos de amores impossíveis,
desencantados.

Digam a ela que existem milhares a consolar
e que com tanta tristeza eu não posso ir lá
Hoje não posso ir lá.
Hoje não posso ir lá.

Digam a ela que existem milhões de cadáveres a enterrar
e certas estrelas que insistem em se apagar
que existem muros pixados a limpar
e balas que foram perdidas que tenho que encontrar
antes que encontrem um outro antes de mim.

Digam que choro amargamente
por este dia único em que sentei aqui
e lamentei ser impossível ir encontrá-la.
Pois o céu está cinza da poeira das fornalhas
das vidas que se queimam em holocaustos suicídicos.

Digam a ela que tenho que ficar a postos
pronto para amar e socorrer e abrir os cárceres de mentes
voltado para todos os caminhos
onde quer que se precise
onde quer que se suspire
onde quer que haja dor,
onde quer que se morra
seja de ódio ou de amor.

Digam a ela que estou enxugando a poça de sangue da praça
com a roupa que eu acabara de alvejar
que já não tenho mais vestes limpas
mesmo que hoje eu pudesse ir com ela me encontrar.

Falem a ela, não a deixem me esperando
digam que o herói está preso,
e os acordes da canção foram roubados,
e os sinos de alegria foram desmontados
que já não há quem possa tocá-los.

Digam-lhe que meu dever é grande
que há fome e mentira
e desgraça e genocídio
espalhados em todos os lugares
e eu não posso cruzar os braços,
não posso ficar parado.
Sei que ela entederá que não posso ficar.

Por isso peçam-lhe paciência
peçam-lhe que não me esqueça
digam-lhe que volto logo que possível
aos seus braços
onde me sinto em paz.

Mas que agora não posso
mas que agora não devo
que hoje não a encontrarei
nos becos e ruas e vielas de costume
nas horas de lua alta
sob o canto de violões sem corda
e vozes embargadas.

Digam que sinto saudades,
que meu coração é só dela
que nunca a traí
nem jamais tive outra em meus pensamentos
ou em meu leito.
Que almejo por revê-la
tão logo quanto seja possível.
Digam a ela que carrego o peso do mundo nas costas
e honro o nome que ela me deu
e os ensinamentos que me prestou.

Digam a poesia que volto logo.
Mas que hoje é impossível.
Hoje não posso.
Que é grande meu penar,
mas hoje não posso ir.
Que hoje não a verei.
Que me é impossível lá chegar.
Digam a ela que hoje eu não posso ir.


*Uma homenagem a Drummond, num dia que temo possuir aquele mesmo sentimento do mundo.

10 de junho de 2010

Fome

Sentia frio,
aquele frio de tardes de solidão
passadas na varanda de casa
esperando o telefone tocar.

Para não morrer,
devorou o sol
com cobetura de creme e bolachas de sal
para ver se o coração ficava mais quente.

Não adiantou,
faltava um pouco de pimenta
e um chá de canela pra adoçar.

2 de maio de 2010

Estrela-cadente

Ah...
Deve ser
tristeza o que deu na estrela
ao te ver sofrer.

E então
foi que eu vi a estrela brilhar lá no céu
pra chamar tua atenção.
[e você nem viu]

Ah...
Deve ser
por você não sorrir
que a estrela se jogou do céu
ao te ver partir.

E então
foi que eu vi a estrela tristonha,
cadente do céu
implorando por você aqui.
[mas você não quis]

- Hoje fiz um pedido para acender uma estrela no céu cada vez que você sorrir -

24 de abril de 2010

Mãe-poesia

A mãe-poesia que nos alimenta
com o leite das letras, das rimas,
da métrica e dos versos
de sonhos que um dia plantamos
para hoje ver nascer,
é a mesma mãe-poesia
que acolhe os poetas que nascem
e os homens que morrem
nos braços de uma palavra.

Que se há de fazer?

Que fique o dito pelo não dito, e tenho dito!
Hoje morro sem saber o que querias dizer.

11 de abril de 2010

1ª conjugação

Naquele dia ele chegou diferente do que costumava chegar.
Deu um boa tarde arrastado e um beijo muolhado, diferente do que costumava dar.
Não xingou a música alta e o livro entreaberto como costumava xingar.
Não reclamou a comida fria e a geladeira vazia como era comum reclamar.
Falou palavras doces e até poemas de amores, como nunca antes soubera declamar.
Entregou a mulher um embrulho machucado com um vestido decotado como ela nunca antes pôde usar.

Olhou a mulher por inteiro e a desejou diferente do que costumava desejar.
E entraram no quarto e trancaram a porta como nunca antes foi de precisar.
E dançaram uma valsa, e tocaram os corpos como nunca antes foi de se ousar.
Pegou-a pela cintura e a amou diferente do que era comum amar.
E fez juras de amor em meio a gemidos loucos que nunca antes soubera expressar.
E os vizinhos ouviram as declarações mais vexatórias, dignas de se envergonhar.
E a polícia veio acudir o chamado dos que não sabiam mais a quem chamar.
E levou preso o casal que contra o pudor e bom costume quis atentar.
E o silêncio fez pronto na rua, como era de se esperar.

{soou ruim no fim, essa monte de -ar, mas eu sempre gostei mais da primeira conjugação, então uma história contada assim era mais um desafio que uma tentativa de boa literatura.}

10 de abril de 2010

Há nestes[d]ia

A anestesia não cala meu medo.
Não muda minha intenção.

Há nestes dias de silêncio
atordoantes ruídos de arritmias.

A anestesia não me tirou a dor
de como é triste quando
a palavra esquece de mim.

28 de janeiro de 2010

Escrevo

Escritor de verdade escreve pela literatura, pela obra, pelo calor dos aplausos depois do recital de poemas rebuscados em rimas perfeitas e versos alexandrinos.
Eu não sou escritor de verdade. Eu aprendi a juntar letrinhas há muito tempo, mas não sei ainda ao certo o que fazer com elas.
Tem dias que levanto cedinho, acordo todas elas e as levo para passear. E elas vêem o céu, as nuvens gorduchas em forma de algodão doce, e de tão felizes, dão as mãos para me retribuir o passeio com um versinho bonito que acabaram de inventar.
Eu não sou escritor. Eu ganho das letrinhas, por vezes, alguma coisa que valha a pena colocar no papel. Mas isso é só porque elas são boazinhas comigo, vez em quando.
Tem vezes que elas ficam com raiva de mim, porque eu acordei triste e não quis sair para brincar. Então fogem todas juntas, numa rebelião contra minha falta de poesia. E é quando eu fico muda: fico triste. Quando meus dedos ficam mudos, fico muito triste. Quando meu lápis fica cego, mudo, surdo, fico triste de chorar sem parar. Então elas - as letrinhas, ficam com pena de mim, e voltam. Sempre voltam.
Temos quase um pacto de sangue de irmãos, as letras e eu, em que brigas e afagos se sucedem initerruptamente.
Eu não sou escritor.  Escrevo para diminuir distâncias, para criar abraços, e para ouvir os passarinhos cantarem. Escrevo porque sou tímida, e às vezes não sei dizer. Então escrevo.
Escrevo milhões de bilhetes secretos para namoradas imaginárias, que nunca serão remetidos. Escrevo poemas sem rima com giz em quadros-negros, que serão apagados na próxima aula de matemática. Escrevo com aquarela no cimento do chão, esperando a chuva cair e apagar tudo que eu não sei dizer sem ajuda das letrinhas. Escrevo na beirada de janelas, escrevo no lençol da cama e no chão da cozinha. Escrevo.

Eu não sou escritor. Mas eu escrevo para não ser triste.

8 de dezembro de 2009

Curiosidade

E os pelos curiosos da minha pele
levantaram todos juntos
tentando decifrar o mistério
que existe nos teus dedos.

Vieram ouvir o sussuro
o murmúrio
de uma voz que chamava,
da tua voz que dizia.

Mas o que me dizias?

Querias me contar um segredo.
Mas do teu segredo eu já sabia.

Sujeito

Você, sujeito simples da minha oração.
Sujeito inexistente, paciente, inaparente
Quem pode adivinhar que nossas frases
aparentemente sem sujeito
carregam na verdade um período composto
por coordenação?

Enquanto procuramos nossos complementos
verbo-nominais
as desinências modo-temporais
nos colocam entre pausas, entre vírgulas.

Fiquemos com as reticências.
Três pontos são sempre melhores
que um ponto final.

Sem apostos, não precisamos de interrogações
Somos claros verbos reflexivos
derivados de um processo de justaposição
conjugados numa forma nominal de vir a ser.

30 de novembro de 2009

Medo meu

E o que vieste cá fazer, medo meu?
Deixa-me dormir, que amanhã acordo cedo... O dia é longo, e sempre haverão novas coisas a me assustar.
Não serás o único, não estaremos mais a sós.
Não será apenas a tua voz a me assombrar.
Então deixa-me dormir... Deixa-me sonhar...
Deixa-me ficar com o pouco de paz que me resta.
Com o tanto de vida que me cabe nesse burburinho.
Deixa-me dormir, medo meu.

A saudade, a frase perdida, um não, a dor...
A janela, a madrugada,
a partida, a chegada.
Amanhã o medo vai ter que cor?

A bailarina

Ela tropeça os pés calçados com sapato de fita nos versos que espalha pelo chão. A bailarina já não ouve mais canção.
A sapatilha usada, gasta, estragada. A sapatilha que de tanto no mundo tão pouco viu, tão pouco sabe.
Os passos ensaiados em frente ao espelho, como quem quer alcançar a perfeição de si mirando no que há fora. A singeleza do gesto, a magia de cada rodopio.
Os passos no ritmo da bossa nova... A bossa embalando as voltas.
As quedas disfarçadas num passo de dança.
A bossa entoando a vida. A bossa nem mais tão nova...
As notas das canções, pintadas de azul. Azul cor de poesia.
Dó Ré Mi Fá[zendo] eco em mim,
Não estamos Sós,
Lá vamos nós outra vez...
Tentando refazer o que sobrou de si.

A bailarina procura certezas em meio às incoerências. Os passos desconcertados de uma valsa já batida, já marcada.
Ela senta no chão, esperando não se sabe o quê.
Ou ela espera história acontecer. Esperando a música soar, as notas vibrarem, ela espera os versos azuis.
A bailarina espera o dia de dançar.
Enquanto isso ela cuida de si.
Ela cuida das sapatilhas, minuciosamente, com gestos mínimos, sussurrados...
Enquanto entoa a valsa triste de quem espera um amanhã incerto.

"Astronauta, diz pra mim cade você, bailarina não consegue mais viver."

26 de novembro de 2009

Janta

E eu
vou te servir o meu amor
numa bandeja de prata,
com todos os requintes de um prato principal.

Assim, onde não importam sobremesas e entradas.
Importa a vida, o gosto, a amarra.
O tempero de nossos desencontros.
O sabor das nossas massas.

Te darei minha paixão regada a vinho branco
numa taça transbordante de desatino,
perdida, achada.
Gosto de uva e desejo.
Descalibre do teu beijo.

E não me venhas morno, não me sirvas frio
Quero um prato quente,
com gosto de gente
onde não importam as idas,
as vindas, os ais e os senão.

Quero provar a vida
como quem bebe até não saber.
Mas não quero tudo de um só gole
Aos poucos, embriagar
assim, devagar,
até não ter mais o que fazer.

23 de novembro de 2009

Resta

[Ouvindo O Teatro Mágico - Não sou Chico mas quero tentar]

O que nos resta?

A mão cravejada de espinhos
das flores que tentamos roubar.

As calças rasgadas pelo vidro
das janelas que tentamos arrombar.

A boca seca, travada
das dores que tentamos sufocar.

A aquarela largada na sala
dos quadros que a gente não quis pintar.

As bocas virgens
dos beijos que nos negamos a dar.

Os olhos cegos
pelo que não quisemos enxergar.

A coragem morta
de quando desistimos de lutar.

O peito manchado de sangue
Das vezes que tentamos amar.


"As nossas condutas tão putas não valem a pena
Que pena, eh, que pena
As nossas condutas confusas nos tiram de cena, ah...
Que pena, eh, que pena

Vou, vou engarrafar essa dor,
Vou engarrafar a saudade
Vou me embreagar de tristeza
Bendizendo ela vira beleza,
Gentileza gera gentileza..."

Fôlego

Ela misturava livros, recados e guardados
com amores e dissabores, com cores,
com versos e flores.

Ela era mistério
a única certeza que nos resta na dúvida
uma certa imprecisão,
uma imprecisa certeza,
um receio, um sobressalto
um desalinho, um desaviso.

Sina nossa, sina minha.
Sina assassina.

Me lembre de manter distância.
Perto de você me falta algo importante,
como o ar ou algo similar.
Perto de você não consigo respirar.

19 de novembro de 2009

Foi-se












Fez-se céu.
A menina fez-se céu.
E foi-se embora num balão
voando pra longe
procurando ilusão.


Nuvem tem gosto de algodão.
Pó de estrela brilhando no chão.
A gente tinha esquecido como era doce sonhar.
Eu já tinha esquecido como era amar.

Fez-se céu.
Largou o chão.

Volta, visse?
Demora muito não.

Menina pintada de céu,
se um dia tu voltar
eu te entrego meu coração.