Deixe-me ir.
Solte essas amarras, você não pode me prender aqui.
Ou seria eu que me deixo ficar: Que me demoro na cadeia... Que sempre volto para conferir se a porta está aberta ou fechada...
Não quero mais voltar aqui. Não quero mentir para mim, para você. Não quero perder. Mas estou perdendo.
Odeio-te por seres as coisas que procurei em uma formulação tão intragável. Odeio te por me dominares tanto. Odeio a sensação de nunca te superar. Odeio que meus novos amores - tão mais plácidos, tão mais doces, tão mais amores - ainda não conseguiram te apagar completamente. Ainda. Será que vão um dia: Será que se pode apagar alguém assim, até a inexorável cinza ser levada pelo último sopro de vento até não restar mais nada: Eu quero o nada.
Não sei, você sempre foi e vai continuar sendo o mesmo idiota de sempre. Eu a mesma boba de sempre.
Karma. Destino. Sina.
Eu não sei nomear essa coisa. Fico com a cerveja e deixo o problema pra depois. Como sempre.
Et cetera
Porque sempre existe um pouco mais.
17 de janeiro de 2012
13 de janeiro de 2012
Outra coisa - parte III (final?)
Hoje eu paro e penso que eu devia ter ficado lá. Mas era triste olhar para você a me pedir o que não conseguia dar.
Entao fechei os olhos e mergulhei dentro de mim, onde pensei que você não podia me achar. Mal sabia eu que era lá onde você morava, crescia, vivia, me vigiava.
De lá de dentro sua voz ficou apenas mais forte, mais vibrante. Comecei a acreditar que estava ficando louca, e nunca ouvi você discordar. Então acabei pensando: E por que não? Isso explicaria tudo... As vozes, os esquecimentos, a tristeza sem fim. Estou louca. Sou louca. Isso me ajuda a me perdoar também. A bem da verdade, nem preciso me perdoar. Loucos são loucos, já estão pre-desculpados antes de qualquer ato falho.
Fiquei mais conformada. Comecei a passear nas janelas da mente, vendo uns retratos antigos de mim mesma. Vez ou outra a sombra de você vinha, mas eu pensava: Estou louca, estou cansada... Não posso te ajudar.
E você parecia entender. Respeitar. Parou de me pedir, parou de repetir a frase que me dava tanto medo. Não, você não dizia mais. Mas você me olhava. E seus olhos diziam. Então eu não queria olhar pra você. Então viajar para dentro de mim foi ficando cada vez mais confuso, porque fechava os olhos mais uma vez para fugir dos seus olhos e encontrava - ou me perdia - cada vez mais dentro de mim. Me assustava.
E então veio você falando de novo. E a dor no peito começou de novo. E o frio veio de novo. E o medo. E a outra coisa... Aquela coisa. De repente estava na minha frente. Clara, estonteante, luminosa, como se nunca estivesse saido dali, nunca tivesse sido apagada. Nunca tivesse sido esquecida.
Não pude contempla-la por cinco minutos, ou cinco anos, não tenho nenhuma nocão do tempo que apenas passei ali, tentando fugir do que se derramava em minha frente.
Doeu ficar com você. Doeu me sentir fraca o suficiente, imatura, insegura. Doeu. Doeu lidar com meus erros tão de perto, com seu julgamento de mim. Com sua falta de compreensão, de perdão, de amor.
Hoje eu teria feito diferente. Ou não. Eu teria ficado. Ou não. Eu teria te amado. Ou não. Eu nunca vou saber porque me neguei a outra coisa. Me neguei a chance de me confrontar. De me aceitar. De não fugir de mim mesma. De usar as exatas palavras, os exatos gestos e a exata entonação que meu coração pedia. De não me esconder de mim mesma. A outra coisa que na verdade era a minha coisa. Era quem eu sempre quis ser. Cometi suicídio sem morrer. Apenas matei. Homicídio então. Hoje volto e me encontro e não sei se sou eu ou se sou ela. Ou as duas. Ou nenhuma. Não sei mais o que faz sentido. Sei que eu acho que nunca deveria de fugido. Eu deveria ter ficado. E tentado outra coisa.
Entao fechei os olhos e mergulhei dentro de mim, onde pensei que você não podia me achar. Mal sabia eu que era lá onde você morava, crescia, vivia, me vigiava.
De lá de dentro sua voz ficou apenas mais forte, mais vibrante. Comecei a acreditar que estava ficando louca, e nunca ouvi você discordar. Então acabei pensando: E por que não? Isso explicaria tudo... As vozes, os esquecimentos, a tristeza sem fim. Estou louca. Sou louca. Isso me ajuda a me perdoar também. A bem da verdade, nem preciso me perdoar. Loucos são loucos, já estão pre-desculpados antes de qualquer ato falho.
Fiquei mais conformada. Comecei a passear nas janelas da mente, vendo uns retratos antigos de mim mesma. Vez ou outra a sombra de você vinha, mas eu pensava: Estou louca, estou cansada... Não posso te ajudar.
E você parecia entender. Respeitar. Parou de me pedir, parou de repetir a frase que me dava tanto medo. Não, você não dizia mais. Mas você me olhava. E seus olhos diziam. Então eu não queria olhar pra você. Então viajar para dentro de mim foi ficando cada vez mais confuso, porque fechava os olhos mais uma vez para fugir dos seus olhos e encontrava - ou me perdia - cada vez mais dentro de mim. Me assustava.
E então veio você falando de novo. E a dor no peito começou de novo. E o frio veio de novo. E o medo. E a outra coisa... Aquela coisa. De repente estava na minha frente. Clara, estonteante, luminosa, como se nunca estivesse saido dali, nunca tivesse sido apagada. Nunca tivesse sido esquecida.
Não pude contempla-la por cinco minutos, ou cinco anos, não tenho nenhuma nocão do tempo que apenas passei ali, tentando fugir do que se derramava em minha frente.
Doeu ficar com você. Doeu me sentir fraca o suficiente, imatura, insegura. Doeu. Doeu lidar com meus erros tão de perto, com seu julgamento de mim. Com sua falta de compreensão, de perdão, de amor.
Hoje eu teria feito diferente. Ou não. Eu teria ficado. Ou não. Eu teria te amado. Ou não. Eu nunca vou saber porque me neguei a outra coisa. Me neguei a chance de me confrontar. De me aceitar. De não fugir de mim mesma. De usar as exatas palavras, os exatos gestos e a exata entonação que meu coração pedia. De não me esconder de mim mesma. A outra coisa que na verdade era a minha coisa. Era quem eu sempre quis ser. Cometi suicídio sem morrer. Apenas matei. Homicídio então. Hoje volto e me encontro e não sei se sou eu ou se sou ela. Ou as duas. Ou nenhuma. Não sei mais o que faz sentido. Sei que eu acho que nunca deveria de fugido. Eu deveria ter ficado. E tentado outra coisa.
Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria.
Martha Medeiros
Outra coisa - II
Foi um caminho longo até aqui. Eu quis acreditar que seria mais fácil assim. A vida ia seguir menos turbulenta, menos chorosa, menos dolorida. Foi escolha minha. Como num livro mal escrito de que nao gostei um pouco, e como menina mimada, voltei e apaguei cada frase que eu nao concordava, que eu nao queria.
Hoje olho meu passado como todos os pedacos faltando e não consigo me lembrar exatamente o que perdi. Sempre tive essa amargura, esse jeito triste, esse ar sereno. Mas tinha algo mais. Tinha alguma coisa que eu quis perder, que eu quis apagar. Por alguma estranha razão que não consigo me lembrar. E é essa coisa que te faz falta. Que eu te neguei, que eu te roubei. A lembrança daquilo que eu nao quis te dar, pra te proteger, pra te salvar.
Nao sei se me culpo, ou se me agradeço. Não sei o que era. Me subverto. Me calo, silencio perante teu grito.
-Eu quero outra coisa.
-Mas você tem tudo. Está tudo aqui, a vida calma, o sossego, a praia, os amigos, o trabalho, o livro na varanda.
-Eu ainda quero outra coisa.
-Mas eu não lembro o que eu posso te dar. Não sei o que voce ainda pode querer.
-Isso não me faz querer menos.
-Você então me odeia por não saber...
-Não te culpo. Não sei seus motivos, mas sei de voce o suficiente para não te culpar. Apenas continuo querendo a outra coisa que você tirou de mim.
-Eu tenho que lembrar.
-Eu sei.
-Eu vou sentar aqui, na beira do fogo. Mas não sei se vou conseguir. Eu não sei se eu quero lembrar.
- Eu apenas sei que você não pode escolher o que tirar da minha vida. Eu quero outra coisa.
Hoje olho meu passado como todos os pedacos faltando e não consigo me lembrar exatamente o que perdi. Sempre tive essa amargura, esse jeito triste, esse ar sereno. Mas tinha algo mais. Tinha alguma coisa que eu quis perder, que eu quis apagar. Por alguma estranha razão que não consigo me lembrar. E é essa coisa que te faz falta. Que eu te neguei, que eu te roubei. A lembrança daquilo que eu nao quis te dar, pra te proteger, pra te salvar.
Nao sei se me culpo, ou se me agradeço. Não sei o que era. Me subverto. Me calo, silencio perante teu grito.
-Eu quero outra coisa.
-Mas você tem tudo. Está tudo aqui, a vida calma, o sossego, a praia, os amigos, o trabalho, o livro na varanda.
-Eu ainda quero outra coisa.
-Mas eu não lembro o que eu posso te dar. Não sei o que voce ainda pode querer.
-Isso não me faz querer menos.
-Você então me odeia por não saber...
-Não te culpo. Não sei seus motivos, mas sei de voce o suficiente para não te culpar. Apenas continuo querendo a outra coisa que você tirou de mim.
-Eu tenho que lembrar.
-Eu sei.
-Eu vou sentar aqui, na beira do fogo. Mas não sei se vou conseguir. Eu não sei se eu quero lembrar.
- Eu apenas sei que você não pode escolher o que tirar da minha vida. Eu quero outra coisa.
18 de dezembro de 2011
Outra coisa - I
Tem noites que o meu coracao faz uma pequena fogueira e me esquenta. Especialmente naquelas noites extremamente glaciais no mundo exterior. Tem dias, meu caro, que eu fecho os olhos e deixo ele queimar. Usar como combustivel tudo que eu nao quero precisar mais. Ficar perto do fogo doi, queimar coisas que me sao ainda ligadas tambem doi. Mas eu deixo acontecer. Como aquelas coisas irremediavelmente predestinadas a se concretizar.
Sou um misto entre real e imaginario, doce e salgado, mistico e cetico. Nunca soube escolher apenas um lado. Pego as melhores coisas de tudo que me e oferecido. Nao me venham culpar por isso. Entao nao, nao acredito em destino, ou predestinacao completamente, mas tambem nao desacredito. Apenas acho que algumas coisas acontecem quando seu tempo chega, mas a minha vida sera sempre a minha vida ate que eu mesma decida o contrario.
E a fogueira seguiu queimando noite a dentro, como tinha que acontecer, mas porque eu deixei que assim fosse.
E pegada com o sono que vinha chegando, estiquei meu corpo cansado perto do fogo, e esperei os olhos fecharem olhando as lembrancas queimarem.
E de dentro, mais uma vez, vem aquela vozinha mansinha, calma, persistente: Eu quero outra coisa. E eu pergunto: mas o que? E ela apenas continua: outra coisa, outra coisa...
E mantive os olhos delicadamente presos nas chamas da fogueira e me meti a pensar que outra coisa ela queria.
O que ela ainda nao tinha? O que lhe faltava? Eu, como criador perante a criatura, era obrigada a lhe prover todo o sustento necessario. Entao a inquietude por nao ve-la satisfeita, por ve-la incompleta comecou a me aflingir.
Outra coisa... outra coisa...
O espirito solto, ausente de regras, tudo isso eu ja tinha lhe dado. Liberdade para tocar as pessoas, para senti-las, le-las, absorve-las...
E fiquei e gastei a noite toda a matutar, enquanto a vozinha repetia um milhao e quinhentas e tantas mil vezes: Outra coisa... outra coisa... Eu quero...
Sou um misto entre real e imaginario, doce e salgado, mistico e cetico. Nunca soube escolher apenas um lado. Pego as melhores coisas de tudo que me e oferecido. Nao me venham culpar por isso. Entao nao, nao acredito em destino, ou predestinacao completamente, mas tambem nao desacredito. Apenas acho que algumas coisas acontecem quando seu tempo chega, mas a minha vida sera sempre a minha vida ate que eu mesma decida o contrario.
E a fogueira seguiu queimando noite a dentro, como tinha que acontecer, mas porque eu deixei que assim fosse.
E pegada com o sono que vinha chegando, estiquei meu corpo cansado perto do fogo, e esperei os olhos fecharem olhando as lembrancas queimarem.
E de dentro, mais uma vez, vem aquela vozinha mansinha, calma, persistente: Eu quero outra coisa. E eu pergunto: mas o que? E ela apenas continua: outra coisa, outra coisa...
E mantive os olhos delicadamente presos nas chamas da fogueira e me meti a pensar que outra coisa ela queria.
O que ela ainda nao tinha? O que lhe faltava? Eu, como criador perante a criatura, era obrigada a lhe prover todo o sustento necessario. Entao a inquietude por nao ve-la satisfeita, por ve-la incompleta comecou a me aflingir.
Outra coisa... outra coisa...
O espirito solto, ausente de regras, tudo isso eu ja tinha lhe dado. Liberdade para tocar as pessoas, para senti-las, le-las, absorve-las...
E fiquei e gastei a noite toda a matutar, enquanto a vozinha repetia um milhao e quinhentas e tantas mil vezes: Outra coisa... outra coisa... Eu quero...
O amor e punk...
Eu hoje ia escrever, e ja estava com a ideia certinha, bem bonitinha na cabeca. Mas ai, nas minhas andancas virtuais, achei esse texto, li, vi o video e conclui: Putz, ela ja falou bem o que eu ia dizer. Vou deixar o meu pra outro dia entao, pra nao correr o risco de parecer adulteracao, ou simbiose.
Por hoje, o que ela disse ta dito, e eu concordo: O amor eh punk.
Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star. Uma coisa meio Dave Grohl. Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo foda. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é diferente). Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez. Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas. Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, caramba! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido. Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrão. Amor é reconstrução.É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios. Demorei anos pra concordar com meu querido Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio! Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.
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