10 de outubro de 2009

Amanheça brilhando mais forte!

Hoje venho a este blog quebrando o protocolo de não torná-lo um diário da minha vida privada.
Hoje vim sim contar as coisas mais lindas que me aconteceram neste fim de semana.

Um fim de semana mágico. Teatro Mágico.

A mágica começou quando segurei o ingresso na mão. O desespero, a angústia, a ansiedade. O medo de perder a entrada no palco.
Eram nove e meia. O show marcado para as nove. Eu na porta do Teatro Guararapes esperando minha heroína vencer o congestionamento da entrada do Centro de Convenções.
Era medo mesmo que havia em meus olhos. Um quase pavor. Ou um pavor e meio.
E lá está ela. E lá está ele. Criador e criatura.

"À margem de toda candura.
Cria a dor, cria e atura"

Ao segurar o ingresso, ao ver escrito naquele pedaço de papel meu lugar naquele espetáculo, me senti como escrevendo meu nome no infinito. No infinito de magia que estava por começar.
Entrar no teatro. Lotado.

Entrada para raros. Música rara em liquidação. 2º Ato.

O show começou. E a sensação começou. Quando você se encontra com você mesmo. Quando é capaz de olhar para o espelho e ver quem realmente é.

Eu sinto que sou um tanto bem maior.

A mágica do circo. A mágica das rimas. A mágica das letras. A mágica de Gabriela. Como não falar em Gabriela? Tecendo sonhos em tinturas, em faixas, em laços, em alturas?
Gabriela nas alturas do balanço enquanto Fernando nos fazia subir ainda mais alto. Chegar a tocar o céu sem sair do chão.

A poesia prevalece!!!
O primeiro senso é a fuga.
Bom...
Na verdade é o medo.
Daí então a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude
uma alteridade disfarçada...
Inquilina de todos nossos riscos...
A juventude plena e sem planos... se esvai
O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus, com muito mais cuidado.
Muito mais atenção!
E a tensão que parecia não passar,
“O ser vil que passou pra servir...
Pra discernir...”
Pra pontuar o tom.
Movimento, som
Toda terra que devo doar!
Todo voto que devo parir
Não dever ao devir
Não deixar escoar a dor!
Nunca deixar de ouvir...

com outros olhos!

Reencontros. Comigo e com os outros raros. Com todos os raros em cima do palco, em baixo na platéia, em cima do balcão.

Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz...

Por isso fico devendo a definição exata da sensação de uma noite que não foi apenas inesquecível.
Foi mágica.

Obs.: Sábado ainda teve Bienal do Livro, então foi um dia ainda perdida em encantos entre títulos, livros, livretos, magiaaa. Klécia no País das Maravilhas.

Final de semana para não esquecer.

Só enquanto eu respirar.

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