12 de setembro de 2009

Lógicas

Querer (Pablo Neruda)

Não te quero senão porque te quero

E de querer-te a não querer-te chego

E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.


Difícil dizer o que procuramos. Ser feliz talvez mais que fazer feliz. Ou ainda fazer feliz mais que qualquer outra coisa no mundo.
Às vezes esperamos demais. Apenas sentamos e deixamos que a vida siga seu rumo, o rio siga seu fluxo, as corredeira desça sua montanha. E apenas olhamos a lógica do universo seguindo seu curso.
E nos conformamos com as curvas que encontramos, com os desfiladeiros aos quais nos lançamos, com o destino que levamos.
Tudo como se não pudéssemos escolher em que esquina virar... Como se a ordem do universo não pudesse ser alterada.
Queremos coisas perfeitas, exatamente como tínhamos imaginado, sonhado, ufanizado... E ficamos apenas sentados, esperando... Quem sabe, atrás daquela curva lá na frente...

A questão é: ninguém nos deu o direito de imaginar exatamente como alguém deveria ser ou agir, nam como as sequências de quadros deveriam se suceder. Quem disse que não poderíamos discordar, desviar, traçar nosso rumo, independente da lógica da leis de Einstein? (e das nossas próprias lógicas envelhecidas também).
Quem está tentando controlar uma vida que é minha? E que vai morrer comigo?

Nem todo mundo entende fácil... Alguns vão passar uma vida sem perceber. Que um simples sorriso, um abraço, o olhar nos olhos podia ter feito toda a diferença.

"Porque ou você toca, ou não toca..."

O tempo não volta. Nunca.
A vida passa,
o vento passa,
a idade passa,
até as palavras passam.

E se eu não fizer com que valha a pena agora, quanto tempo mais vai passar até que eu encontre o que procuro após a curva do rio, esperando a lógica de Einstein, a organização metódica da gravidade que leva tudo, controla tudo, irremediavelmente inquebrável, intocável, imutável (insuportável)?

Se nós continuarmos esperando, quanto tempo vai sobrar da vida pra gente ser feliz?

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