7 de setembro de 2009

Em boa companhia

Uma coisa que eu tenho na vida é sorte. Não sei se a palavra certa é sorte. Acho que é mais que isso. Algo como dádiva. Ou graça mesmo. Daquelas que a gente ganha sem esperar, ou merecer.
Das coisas que tenho na vida, uma das mais importantes são as pessoas que tenho. As minhas pessoas.
Pessoas que fui ganhando das maneiras mais inusitadas. Que foram chegando inadvertidamente, inesperadamente, e foram ficando, ficando...
Pessoas tão diversas. Tão diferentes entre si, tão diferentes de mim. Pessoas que se completam, e me constroem também.
Diferenças...
Amigos contra todas as probabilidades, todas as possibilidades. Meus dessemelhantes, que de tão diferentes, se tornam tão iguais. E tão essenciais.
Todas as nossas pequenas - ou quilométricas - divergências nos convergem para o mesmo ponto final. Em algum lugar nossas retas convergem. E de repente, em alguns pontos, nos tornamos paralelos. Caminhando juntos e separados. Às vezes próximos, por vezes distantes. Paralelos, convergentes ou divergentes. Retas curvas, curvas retas. Construções geometricamente impraticáveis, excêntricas, extravagantes.
Diversidade. Opostos. Complementos.
Tenho pessoas felizes, pessoas tristes, pessoas complexas, pessoas simplistas, pessoas gigantes, pessoas inocentes, pessoas bobas, pessoas loucas.
Pessoas que nada temem, pessoas metódicas, pessoas inconsequentes, pessoas racionais.
Pessoas inconstantes, pessoas previsíveis, pessoas prosa, pessoas poesia, pessoas primavera, pessoas tempestade.
Pessoas. Minhas pessoas.
Que eu não sei ao certo de onde vieram, nem como chegaram. Como entraram pela porta da cozinha, como velhos conhecidos, sentaram na mesa, pediram um café e conversaram inutilidades de tarde com chuva, enquanto reinvindicavam pão com manteiga.
Não sei quanto tempo faz. Não sei o quanto de nós já mudou. Não sei para onde vamos.
Sei que as minhas pessoas habitam em mim. E estão aqui todos os dias, a me lembrar quem sou, e como faço meu caminho. Minhas pessoas divergentes, as dessemelhantes peças do mosaico que ganhei da vida. Os iluminados reflexos caleidoscópicos dos meus dias.
Quem pensa que tem muitos amigos se ilude. Um presente tão imenso não se encontra aos montes na vida. Colegas, conhecidos, por um tempo ou estação, desses temos aos montes. Mas amigos mesmo, amigos de uma vida, amigos de um pra sempre, daqueles que deixam na gente gosto de nuvem, ou de tarde de sol na beira de mar, esses a gente conta nos dedos.
Mas quando acontece, quando a gente se encontra, não importa se é riso ou choro, se é pranto ou mágoa, a gente vai, mas a gente sempre volta.
E o caminho é muito mais doce. Nunca vamos sozinhos. Estamos com a melhor companhia.

Ps.: Para minhas pesssoas, que vivem me pedindo um escritinho... Aí vão alguns reflexos de um dia marcado das maiores saudades de vossas pessoinhas...
Com os maiores amores do mundo!

3 comentários:

Bruna disse...

Minha Florzinha dessemelhante :D!
Te amo tanto...q nem cabe aki :p!

=*****

Lene disse...

Porque a gente vai... mas a gente sempre volta?! :D
E porque eu sempre tenho vc!

Klécia Melo disse...

Sem vocês eu seria a mesma que sou?

Obrigada (me encontro na obrigação de devolver seus inúmeros favores...)

Amuuu