5 de janeiro de 2010

Platonismo

Explode a rua.
Explode a casa, o sentimento, o coração.
Explode as rédeas, as regras, as faces, os modos.
Explode a luz,
e rasga as roupas, rasga a razão, joga tudo no chão.
Revela. O que te vela.
O que te vela? Você me vela.
Me olha dormir, me oferece o que de mim perdi.
Onde me achaste? Eu, que nem me sabia perdido.

Você, com sua fúria escondida num sorriso de papel,
com seu encanto místico disfarçado numa mecha de cabelo cor do sol.

Como faço para te vencer?
Como eu posso aqui te ter?
Quero parar de te esperar.
Mas não sei não te esperar.
Passo os dias a contar minhas horas em teus passos.
A hora de te ver passar.

Te esperar.
Minha vida é te esperar.
E te criar. Te inventar.
Vivo de te sonhar.
Que posso mais fazer
Já que você nada me dá?

Eu, trovador dos amores esquecidos,
Eu, poeta das causas perdidas,
Eu, amante dos afetos impossíveis.

Você, a quem desejo,
Você, que eu nunca esqueço,
Você que guarda minha vida dentro do teu beijo.

Um beijo que não tem sabor,
não tem cor, não tem suspiro,
nem língua, nem gosto, nem tato.
Um beijo que não me deste provar.

Vou matar, matar essa sede insaciável de você.
Amanhã vou te contar que quero você
que sou você
que amo você.
Ou te tenho ou vou me perder.
Mas já estou perdido.
Como se sai de dentro de você?

Você podia ao menos me olhar???

Amanhã, amanhã vou te contar.
Amanhã.

2 comentários:

João Gilberto disse...

Klécia, você continua bem afiada na escrita. Parabéns pelos versos.

Klécia Melo disse...

^^

Não mereço, mas agradeço!!!