17 de junho de 2009

Bom dia Vinícius,


Hoje eu saí andando bem devagarinho, tentando controlar meus pensamentos. Eles estavam sobremaneira revoltos esta manhã. Fui pisando pé ante pé, para que eles não acordassem as crianças que ainda dormiam, não distraíssem as pessoas nas ruas, nem saíssem descontrolados causando confusão.
Quis fazer silêncio. Silêncio só por fora, porque por dentro eu era tempestade. Uma tempestade forte, revoltada. Chuva torrencial, gotas grandes, afogadoras. Eu ia pensando no mundo. Pensando na vida. Pensando no tempo.
Vi dois homens que corriam com tanta pressa como se não tivessem tempo nenhum. Vi um casal namorando como se tivesse toda a eternidade. Vi uma criança que nem sabia o que era o tempo.
E o tempo foi passando...
E eu continuei andando.
Vi bombas que destruiram muitas vidas... Vi vidas que nem pareciam vidas.
Vi prédios crescendo, Vinícius, cada vez mais alto. Vi o mundo esquecer que era mundo. Gente que não era gente. Pessoas indo, pessoas vindo. O que ficou? O que resta Vinícius?
Se você estivesse aqui, você me diria que

"Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança."

Eu acho que você sempre soube não é? Que é ela que move move o mundo... Essa tal esperança...

Um comentário:

amanda disse...

Todos os dias acordamos com a necessidade de examinar a mundo ao nosso redor. Mas a fazer isso possivelmente para nos sentimos melhor por um momento do dia, momento egoista do dia.
Isso porque
fomos educados para sermos produtivos.
Somos ocupados desde a gestação, planos idealizada, filhos crescendo, mas trabalho, criança tem que fazer de tudo um pouco aulas de da, artes marcias, aulas de idiomas, ir a escola. Só falta delas serem crianças.
Isso nao acaba ate a velhice, será que iremos para, acho que nao, porque quando chegar o tempo nao saberemos como.