12 de dezembro de 2009

Solidão

Substantivo feminino singular.

1) Quando tudo que se tem ainda não é o que se quer.
2) Ato ou estado de sentir-se sozinho, mesmo cercado de gente por todos os lados.
3) Quando você já não basta a si mesmo.
4) Aperto no peito, angústia na alma, necessidade premente de dividir, de partilhar, de não ser mais um só, de não ser sozinho. Comumente, sua ação deriva no verbo juntar, somar, ou amar.
5) Relativo a sentir falta de alguém, de algo, ou de si mesmo.
6) Tem cura.

10 de dezembro de 2009

Considerações sobre pequenos escritores

Eu, escritor menor, reconheço publicamente a pequenez de minhas supostas obras literárias.
Venho declarar que não busco aplausos, nem vitórias em rankings de o Blog do Ano. Leitores sinceros e poucos me interessam muito mais. Leitores críticos, não amigos.
Eu, escritor menor, venho dizer que escrevo para relatar meus dias, as fotografias reveladas pelas lentes do meu humor vítreo.
Eu, escritor menor, venho assumir meus textos "bordados de versos e flores".
Eu, escritor menor, abdico do tempo, dos relógios. Quero ganhar a eternidade. A imortalidade.
Mas não a imortalidade de uma cadeira na Academia. Lá não há lugar para escritores menores.
Quero a imortalidade de meus versos recitados pela boca de um desconhecido.

9 de dezembro de 2009

Abre aspas

Adoro teu jeito impulsivo ensaiado de dizer as coisas. E da tua desordem, de como tudo vem aos barrancos, solavancos, cataclisma de palavras sobre mim.
Adoro teus olhos que não sabem disfarçar. E a falta de método, e os descompassos, e os desconexos.
Adoro teus excessos, e teus medos, e teus méritos. Adoro teus erros de cálculo. Teus (pre)conceitos, e preceitos, teus acertos.
Gosto de ver o que sabes sobre mim (vez em quando nada, vez em quando tudo), te gosto ver tentando adivinhar.
Gosto dos premeditados encontros casuais. E do sorriso que nunca sei o que quer dizer. E das suas pausas. Gosto de você tentando enxergar o que te escapa.

Gosto de você, oras.
Fecha aspas.

8 de dezembro de 2009

Curiosidade

E os pelos curiosos da minha pele
levantaram todos juntos
tentando decifrar o mistério
que existe nos teus dedos.

Vieram ouvir o sussuro
o murmúrio
de uma voz que chamava,
da tua voz que dizia.

Mas o que me dizias?

Querias me contar um segredo.
Mas do teu segredo eu já sabia.

Sujeito

Você, sujeito simples da minha oração.
Sujeito inexistente, paciente, inaparente
Quem pode adivinhar que nossas frases
aparentemente sem sujeito
carregam na verdade um período composto
por coordenação?

Enquanto procuramos nossos complementos
verbo-nominais
as desinências modo-temporais
nos colocam entre pausas, entre vírgulas.

Fiquemos com as reticências.
Três pontos são sempre melhores
que um ponto final.

Sem apostos, não precisamos de interrogações
Somos claros verbos reflexivos
derivados de um processo de justaposição
conjugados numa forma nominal de vir a ser.