10 de agosto de 2010

Da dor de nunca ser

"De fato, não existe nada mais deplorável do que, por exemplo, ser rico, de boa família, de boa aparência, de instrução regular, não tolo, até bom, e ao mesmo tempo não ter nenhum talento, nenhuma peculiaridade, inclusive nenhuma esquisitice, nenhuma ideia própia, ser terminantemente "como todo mundo". Dostoyevsky
Olho angustiosamente para os meus pés, contorcidos na tentativa infame de - até eles - se esconderem.
Lamento copiosamente a falta de habilidade de cerrar-me em mim mesma, como num casulo de exílio voluntário.
Quando o que se vê não é o que se deseja.
Quando o que se sonha não passa de utopia.
Quando se descobre a linha grotesca da vergonha e da dignidade.
Quando se esquece o que de nós pode haver, ser ou estar.
Quando não se sabe nem de onde vem a dor.
Quando a dor existe por si só, sem maiores explicações.

Um comentário: