24 de outubro de 2009

Causas

Não é falta de criatividade.
Não é falta de inspiração.
Não é falta de temática.

Não é preguiça literária.

É apenas um não saber o que dizer.

E esse silêncio vai incomodando por toda parte.

13 de outubro de 2009

Chorar

Amélie???

Você está aí?

[silêncio]




Justamente hoje que eu queria te contar... Justamente hoje você inventa de sumir.

Eu ia te contar, Amélie...

Contar que esqueci como é chorar.
Não que eu não queira, Amélie. Apenas não sei como.
Choro por dentro e não choro por fora. E fico juntando toda essaágua com sal que não tem por onde sair.

Ando com medo de me afogar. E ainda acabar a vida com esse gosto de sal.

A lágrima bem que podia ter gosto de chocolate...

Sobre a lembrança e o esquecimento

Como separar de uma caixa de guardados.

O que lembrar e o que esquecer. O que guardar e o que jogar ao vento.
Deixe-me esquecer. Lembrar dia após dia de esquecer das mágoas, dos quase, dos se não. Das frases inacabadas. Esquecer as despedidas quando só há vontade de ficar. Esquecer minhas incapacidades. Esquecer que não posso tudo. Esquecer que não sei cantar, que não sei nadar, que não sei voar, que não sei amar...
Esquecer o que não foi mas devia ter sido. O que seria perfeito. E não passa de um quase.
Esquecer que não sei esquecer. Esquecer que dói quando a gente lembra do que quer esquecer.

Um esforço quase desumano para esquecer da vontade de lembrar.

Não me permitir esquecer dos sorrisos. Das pequenas alegrias. Do gosto de chuva, de marrom-glacê e tarde sentada na grama ouvindo canções que ninguém mais ouve, que ninguém mais gosta.

Não me permitir esquecer das amizades, dos aprendizados, das lágrimas. Das histórias. Dos passados. Do quanto cresci. Lembrar todos os dias de quanto ainda falta de caminho, de carinho, de sentimento. De quanto ainda há para aprender. De tudo que há para ver. E mudar. E transformar.
De tudo que ainda me falta fazer. Lembrar todos os dias de viver. De viver tudo, sentir tudo, ser tudo. Lembrar de ser eu mesma. Lembrar-me dos meus sonhos. Do gosto do chocolate, do gosto da menta, do gosto da vida. Do gosto de ser feliz.

Lembranças para não esquecer.
Esquecimentos por não querer lembrar.

De forma alguma, não devo esquecer de sempre ver o mundo sempre como se fosse a primeira vez.
Amanhecer todos os dias como se fosse o primeiro. E o último.

E de assim separar a minha caixa de guardados, reciclando a minha vida. Cuidando de tudo que há dentro de mim.

E quando parecer tarde, e quando eu tiver medo, e quando eu quiser colo,
Quando que não souber o que fazer, quando eu não souber se valeu a pena...

Eu apenas escolho entre lembrar ou esquecer.

10 de outubro de 2009

Amanheça brilhando mais forte!

Hoje venho a este blog quebrando o protocolo de não torná-lo um diário da minha vida privada.
Hoje vim sim contar as coisas mais lindas que me aconteceram neste fim de semana.

Um fim de semana mágico. Teatro Mágico.

A mágica começou quando segurei o ingresso na mão. O desespero, a angústia, a ansiedade. O medo de perder a entrada no palco.
Eram nove e meia. O show marcado para as nove. Eu na porta do Teatro Guararapes esperando minha heroína vencer o congestionamento da entrada do Centro de Convenções.
Era medo mesmo que havia em meus olhos. Um quase pavor. Ou um pavor e meio.
E lá está ela. E lá está ele. Criador e criatura.

"À margem de toda candura.
Cria a dor, cria e atura"

Ao segurar o ingresso, ao ver escrito naquele pedaço de papel meu lugar naquele espetáculo, me senti como escrevendo meu nome no infinito. No infinito de magia que estava por começar.
Entrar no teatro. Lotado.

Entrada para raros. Música rara em liquidação. 2º Ato.

O show começou. E a sensação começou. Quando você se encontra com você mesmo. Quando é capaz de olhar para o espelho e ver quem realmente é.

Eu sinto que sou um tanto bem maior.

A mágica do circo. A mágica das rimas. A mágica das letras. A mágica de Gabriela. Como não falar em Gabriela? Tecendo sonhos em tinturas, em faixas, em laços, em alturas?
Gabriela nas alturas do balanço enquanto Fernando nos fazia subir ainda mais alto. Chegar a tocar o céu sem sair do chão.

A poesia prevalece!!!
O primeiro senso é a fuga.
Bom...
Na verdade é o medo.
Daí então a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude
uma alteridade disfarçada...
Inquilina de todos nossos riscos...
A juventude plena e sem planos... se esvai
O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus, com muito mais cuidado.
Muito mais atenção!
E a tensão que parecia não passar,
“O ser vil que passou pra servir...
Pra discernir...”
Pra pontuar o tom.
Movimento, som
Toda terra que devo doar!
Todo voto que devo parir
Não dever ao devir
Não deixar escoar a dor!
Nunca deixar de ouvir...

com outros olhos!

Reencontros. Comigo e com os outros raros. Com todos os raros em cima do palco, em baixo na platéia, em cima do balcão.

Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz...

Por isso fico devendo a definição exata da sensação de uma noite que não foi apenas inesquecível.
Foi mágica.

Obs.: Sábado ainda teve Bienal do Livro, então foi um dia ainda perdida em encantos entre títulos, livros, livretos, magiaaa. Klécia no País das Maravilhas.

Final de semana para não esquecer.

Só enquanto eu respirar.

8 de outubro de 2009

Eu

Minhas complexidades,
Excentricidades.

Não digo se não acredito.
Não choro se não for triste.
Não defendo se não valer a pena.

Eu nunca seria uma boa atriz de cinema.
Nem de novela.
Talvez de teatro.
Porque às vezes faço teatro.
Às vezes fica na metade a vontade de dizer um todo.
De ser um todo.
Então nem sempre sou eu mesma,
uma vez que me permito ser metade de mim.
A gente usa máscara e acha que se esconde.
Pinta o rosto e pensa que ninguém vê.
[Será que alguém vê?]

Não sei não me preocupar,
Não sei não antecipadamente sofrer,
não sei largar a insegurança sobre minhas próprias capacidades.

Não sei sorrir para o que não me toca.
Não sei dizer que amo sem sentir.
Não sei sentir e não dizer.

Não sei não ficar boba olhando o mar.
Não sei subir uma montanha sem querer tocar o céu.
Desconheço a falta de vontade de ir além.
Eu quero sempre mais.
Quero o infinito.
E depois, e além.

Não gosto de formulações
Comparações
Premeditações.

Não gosto de frases feitas,
Mas ensaio minhas frases.

Falo sozinha. Falo comigo.
Gosto do escuro. Gosto do sozinha.
Gosto do silêncio.
O de fora e o de dentro.

Tenho medo de multidão.
Onde ninguém se vê, onde ninguém se toca.
Onde todos se tocam sem se tocar.
Onde parecem que querem melevar de mim.
Ninguém vê quem sou.

Não gosto do socialmente aceitável.
Do comportamento desejável.
Mas me descubro seguindo os padrões várias vezes.

Não gosto de livros de filosofia,
não gosto de televisão no domingo.

Gosto de passeio no campo, de bicicleta, a pé.
Gosto de pôr-do-sol, de mistura de cores.
Gosto de fotografia. Especialmente daquelas em que não sou eu na foto.
Não gosto de café.
Mas gosto de sentar pra tomar um café com os amigos
em dia de chuva.
Gosto de dias de chuva.
Gosto de bolo quente. E de casa de avó.
Gosto de inverno, de cobertor, de dentes tremendo.
E de abraço para esquentar.

Gosto de filme, gosto de companhia.
Gosto de pessoas felizes. Gosto de sorriso.
De gargalhada. De rir sem motivo.
De riso descontrolado.
Gosto de parecer pequena.
Menina pequena.
Querendo carinho, querendo colo, querendo proteção.

Gosto de vestido,
gosto de banho de chuva.
Gosto de dançar, sem parar.
Na frente do espelho, na frente de um monte de gente.

Não ligo de parecer meio louca às vezes.
Morro de medo de parecer uma louca inteira.

Gosto de pessoas profundas. De quem me faz pensar.
De quem me faz reanalisar.
Gosto de misturar as coisas.
Gosto de doce com salgado,
e de vento batendo no rosto.
Levando o que não for pra ficar.

Não gosto de esperar por qualquer coisa. Gosto de sentar e esperar coisa nenhuma.
Só sentar. E olhar. Gosto de olhar a vida.

Gosto de gente. Gosto de ver as milhares de partes diferentes aprendendo a conviver.
Gosto de contato. E do risco que ele traz.
Porque hoje já não me protejo tanto.
A minha casca é mais fina.
E assim eu mesma consigo me ver melhor.
E me mostrar melhor.
E gosto mais de mim do que gostava antes.

Gosto de ser como eu sou.
Sendo o verso e o inverso de algum poema
ainda por escrever.