19 de março de 2012

Para alegrar o meu dia


Sem mais.

"Já que não te tenho por perto
Eu vou tomar um sorvete
Para alegrar o meu dia
Já que você não veio na mala
Eu vou dormir na sala
Pra mudar a rotina
Hoje ficou tarde pra ligar
Não espere que de longe você vá me namorar
Ás vezes me canso até andar na rua e respirar
Desatando a garganta que aperta de lembrar
Que a saudade é sua
Ah, ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah (2x)
Já que não te tenho por perto
Eu vou tomar um sorvete
Para alegrar o meu dia
Já que você não veio na mala
Eu vou dormir na sala
Pra mudar a rotina
Eu não tenho tempo pra ficar questionando a vida
Posso até ousar e reinventar, numa outra saída
Se quiser tentar adivinhar o que eu guardo aqui no peito
Não se acanhe de falar, é o seu direito
Ah, ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah "


18 de março de 2012

Dor

A coisa triste eh que, paulatinamente, deixo de acreditar em romances. Nao me atrevo ainda a dizer que deixo de acreditar no amor, porque seria muito forte, e me sentiria muito menos humana. E talvez declarasse nao acreditar numa coisa que sinto, viva e vibrante, dentro de mim. Mas me custa a acreditar no amor alheio.
Ou a aceitar as pessoas, as coisas, a ordem da vida com a qual nao concordo em quase nada.
Se eu sinto, porque os demais nao haveriam de senti-lo tambem? e defende-lo, e acredita-lo, e mostra-lo, o que viria a ser mais importante?
Pois bem, nao me basta que me fales, eu acredito no que vejo, e a verdade eh que nao vejo quase nada. Nada que valha a pena lutar, nada que valha a pena sofrer por. Nada.
Nao sou mais nenhuma crianca, e talvez a culpa disso seja exatamente das imensas e incontaveis ilusoes que me tiraram a fe que tinha, cego, imutavel.
Dor demais faz a gente mudar. Dor de mais faz a gente querer parar de sentir dor.
Faz evitar a dor mesmo, dobrar a esquina, cruzar a rua e nao olhar pra tras. Dor demais me trouxe ate aqui, mas eu ainda busco o caminho para me livrar de tudo isso de amargo, de triste e sombrio que carrego no peito e que me impede de ver meus antigos e memoraveis dias de sol.

8 de março de 2012

Mestre

Acabando ciclos. Eh disso que fazemos a vida. O tempo passou, passou rapido, ate demais. Amanha, senhores, eu nao vou estar defendendo minha dissertacao, apenas. Vou estar defendendo meu sonho. Apos amanha, pela primeira vez em pelo menos vinte anos, eu nao serei mais oficialmente uma estudante. Oficialmente. Porque ninguem pode tirar isso de mim. Cito mais uma vez a epigrafe que escolhi para apresentar neste trabalho, porque representa exatamente meu sentimento:


Enquanto preparavam a cicuta, aprendia Sócrates uma canção na flauta. “Para que te servirás? lhe perguntaram.” “Para sabê-la antes de morrer.” Ouso recordar esta resposta que os manuais banalizaram, pois que ela me parece a única justificação séria da vontade de conhecer, que se dá até mesmo às portas da morte ou em outro momento qualquer.
Emil Cioran
Cresci. Definitivamente, mudei. Nao fiquei estacionada, estacionaria. Meu mundo mudou, as prioridades, as pessoas. Parte de mim lembra da pequena crianca que comecou essa jornada. Parte de mim lembra do desespero por cada resultado insatisfatorio (como tive que aprender a conviver com eles, depois...). Os finais de semana entregues a artigos, trabalhos, revisoes, experimentos. A vida que escolhi e que amo. A vida que divido com outros tantos colegas que passam pelas mesmas alegrias, mesmas privacoes. 
Amanha vou estar levando no coracao a saudade da minha casa nos ultimos 2 anos. O LaViTE, o lugar onde descobri o mundo virologico... Fiz amizades, amores, felicidade e tristezas nas doses exatas que construiram toda a carga de evolucao que carrego hoje. 
Saudade de Pitt... Da experiencia, vivencia. De onde me encontrei comigo mesma da forma mais pura, mais crua, mais dolorosa e mais deliciosa. Onde aprendi a desenvolver meu senso de organizacao (finalmente), a ter o criterio de analise mais apurado, decisao e iniciativa de uma forma que nunca tinha experimentado e provavelmente levaria anos luz para desenvolver aqui.Saudade do que deixei em Pitt. 
Senhores, amanha vou defender o direito de carregar o titulo de mestre. O que isso quer dizer? Isso vai me mudar, mudar meu mundo, de alguma forma? Talvez sim, academicamente falando, isso tenha muita importancia, o titulo. Mas definitivamente me interessa e me comove muito mais o que vivi nesses dois anos, o que aprendi, as pessoas que encontrei pra me ajudar, estimular e instigar. Se eu me emocionar, nao vai ser por ter terminado, vai ser por ter vivido.Podem tentar tirar tudo de mim um dia, mas a ciencia, a investigacao, a duvida, a evolucao, que essas (que sao uma coisa soh) vivam comigo ate o fim dos meus dias. Amem.

4 de março de 2012

Precisa mesmo por nome?

Algumas vezes estou la, outras nao.
Algumas vezes brisa leve, outras furacao.
Por vezes tem plateia, outras tantas solidao.

Tem hora que quero ser tempestade,
mas tempestade eu nao sei ser.
Fico com o que me cabe,
com essa quase liberdade
de falar o que eu bem entender.

13 de janeiro de 2012

Outra coisa - parte III (final?)

Hoje eu paro e penso que eu devia ter ficado lá. Mas era triste olhar para você a me pedir o que não conseguia dar.
Entao fechei os olhos e mergulhei dentro de mim, onde pensei que você não podia me achar. Mal sabia eu que era lá onde você morava, crescia, vivia, me vigiava.
De lá de dentro sua voz ficou apenas mais forte, mais vibrante. Comecei a acreditar que estava ficando louca, e nunca ouvi você discordar. Então acabei pensando: E por que não? Isso explicaria tudo... As vozes, os esquecimentos, a tristeza sem fim. Estou louca. Sou louca. Isso me ajuda a me perdoar também. A bem da verdade, nem preciso me perdoar. Loucos são loucos, já estão pre-desculpados antes de qualquer ato falho.
Fiquei mais conformada. Comecei a passear nas janelas da mente, vendo uns retratos antigos de mim mesma. Vez ou outra a sombra de você vinha, mas eu pensava: Estou louca, estou cansada... Não posso te ajudar.
E você parecia entender. Respeitar. Parou de me pedir, parou de repetir a frase que me dava tanto medo. Não, você não dizia mais. Mas você me olhava. E seus olhos diziam. Então eu não queria olhar pra você. Então viajar para dentro de mim foi ficando cada vez mais confuso, porque fechava os olhos mais uma vez para fugir dos seus olhos e encontrava - ou me perdia -  cada vez mais dentro de mim. Me assustava.
E então veio você falando de novo. E a dor no peito começou de novo. E o frio veio de novo. E o medo. E a outra coisa... Aquela coisa. De repente estava na minha frente. Clara, estonteante, luminosa, como se nunca estivesse saido dali, nunca tivesse sido apagada. Nunca tivesse sido esquecida.
Não pude contempla-la por cinco minutos, ou cinco anos, não tenho nenhuma nocão do tempo que apenas passei ali, tentando fugir do que se derramava em minha frente.
Doeu ficar com você. Doeu me sentir fraca o suficiente, imatura, insegura. Doeu. Doeu lidar com meus erros tão de perto, com seu julgamento de mim. Com sua falta de compreensão, de perdão, de amor.
Hoje eu teria feito diferente. Ou não. Eu teria ficado. Ou não. Eu teria te amado. Ou não. Eu nunca vou saber porque me neguei a outra coisa. Me neguei a chance de me confrontar. De me aceitar. De não fugir de mim mesma. De usar as exatas palavras, os exatos gestos e a exata entonação que meu coração pedia. De não me esconder de mim mesma. A outra coisa que na verdade era a minha coisa. Era quem eu sempre quis ser. Cometi suicídio sem morrer. Apenas matei. Homicídio então. Hoje volto e me encontro e não sei se sou eu ou se sou ela. Ou as duas. Ou nenhuma. Não sei mais o que faz sentido. Sei que eu acho que nunca deveria de fugido. Eu deveria ter ficado. E tentado outra coisa.



Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria.
Martha Medeiros

Outra coisa - II

Foi um caminho longo até aqui. Eu quis acreditar que seria mais fácil assim. A vida ia seguir menos turbulenta, menos chorosa, menos dolorida. Foi escolha minha. Como num livro mal escrito de que nao gostei um pouco, e como menina mimada, voltei e apaguei cada frase que eu nao concordava, que eu nao queria.
Hoje olho meu passado como todos os pedacos faltando e não consigo me lembrar exatamente o que perdi. Sempre tive essa amargura, esse jeito triste, esse ar sereno. Mas tinha algo mais. Tinha alguma coisa que eu quis perder, que eu quis apagar. Por alguma estranha razão que não consigo me lembrar. E é essa coisa que te faz falta. Que eu te neguei, que eu te roubei. A lembrança daquilo que eu nao quis te dar, pra te proteger, pra te salvar.
Nao sei se me culpo, ou se me agradeço. Não sei o que era. Me subverto. Me calo, silencio perante teu grito.
-Eu quero outra coisa.
-Mas você tem tudo. Está tudo aqui, a vida calma, o sossego, a praia, os amigos, o trabalho, o livro na varanda.
-Eu ainda quero outra coisa.
-Mas eu não lembro o que eu posso te dar. Não sei o que voce ainda pode querer.
-Isso não me faz querer menos.
-Você então me odeia por não saber...
-Não te culpo. Não sei seus motivos, mas sei de voce o suficiente para não te culpar. Apenas continuo querendo a outra coisa que você tirou de mim.
-Eu tenho que lembrar.
-Eu sei.
-Eu vou sentar aqui, na beira do fogo. Mas não sei se vou conseguir. Eu não sei se eu quero lembrar.
- Eu apenas sei que você não pode escolher o que tirar da minha vida. Eu quero outra coisa.

18 de dezembro de 2011

Outra coisa - I

Tem noites que o meu coracao faz uma pequena fogueira e me esquenta. Especialmente naquelas noites extremamente glaciais no mundo exterior. Tem dias, meu caro, que eu fecho os olhos e deixo ele queimar. Usar como combustivel tudo que eu nao quero precisar mais. Ficar perto do fogo doi, queimar coisas que me sao ainda ligadas tambem doi. Mas eu deixo acontecer. Como aquelas coisas irremediavelmente predestinadas a se concretizar.
Sou um misto entre real e imaginario, doce e salgado, mistico e cetico. Nunca soube escolher apenas um lado. Pego as melhores coisas de tudo que me e oferecido. Nao me venham culpar por isso. Entao nao, nao acredito em destino, ou predestinacao completamente, mas tambem nao desacredito. Apenas acho que algumas coisas acontecem quando seu tempo chega, mas a minha vida sera sempre a minha vida ate que eu mesma decida o contrario.
E a fogueira seguiu queimando noite a dentro, como tinha que acontecer, mas porque eu deixei que assim fosse.
E pegada com o sono que vinha chegando, estiquei meu corpo cansado perto do fogo, e esperei os olhos fecharem olhando as lembrancas queimarem.
E de dentro, mais uma vez, vem aquela vozinha mansinha, calma, persistente: Eu quero outra coisa. E eu pergunto: mas o que? E ela apenas continua: outra coisa, outra coisa...
E mantive os olhos delicadamente presos nas chamas da fogueira e me meti a pensar que outra coisa  ela queria.
O que ela ainda nao tinha? O que lhe faltava? Eu, como criador perante a criatura, era obrigada a lhe prover todo o sustento necessario. Entao a inquietude por nao ve-la satisfeita, por ve-la incompleta comecou a me aflingir.
Outra coisa... outra coisa...
O espirito solto, ausente de regras, tudo isso eu ja tinha lhe dado. Liberdade para tocar as pessoas, para senti-las, le-las, absorve-las...
E fiquei e gastei a noite toda a matutar, enquanto a vozinha repetia um milhao e quinhentas e tantas mil vezes:  Outra coisa... outra coisa... Eu quero...

O amor e punk...


Eu hoje ia escrever, e ja estava com a ideia certinha, bem bonitinha na cabeca. Mas ai, nas minhas andancas virtuais, achei esse texto, li, vi o video e conclui: Putz, ela ja falou bem o que eu ia dizer. Vou deixar o meu pra outro dia entao, pra nao correr o risco de parecer adulteracao, ou simbiose.
Por hoje, o que ela disse ta dito, e eu concordo: O amor eh punk.

Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star. Uma coisa meio Dave Grohl. Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo foda. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é diferente). Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez. Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas. Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, caramba! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido. Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrão. Amor é reconstrução.É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios. Demorei anos pra concordar com meu querido  Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio! Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.

11 de dezembro de 2011

Quando

Quando a poesia for o chao dos homens,
o amor for livre, e puder vagar pelo mundo,
e as fadas, os deuses e os unicornios andarem entre nos,
sem o risco de serem cacados, testados, tentados, maculados,
quando formos todos uma raca soh,
todos os mesmos, sem distincao, sem discriminacao,
quando o amor nao for apenas sexo, nem soh procriacao,
quando nao for apenas traducao de uma relacao
quando o amor for o que se olha, o que se sente,
for a alca do vestido displecente,
que cai sorrateira pelo ombro distraido
e que voce, atento, coloca no lugar, como a pedir que eu,
por mim mesma,
a faca cair, pra voce, por mim, por nos.

Quando tudo que tivermos for o silencio
apos horas de cansaco, e a companhia dos olhos
que se visitam, como para assegurar que o amor esta la,
aquilo que voce sabe onde procurar.
Aquilo que ganhamos sem pedir, sem esperar.
A confianca da mao que segura a cintura devagar,
a seguranca para se entregar
ao que nao se conhece,
ao que se confia,
sem porque, pra que.

Apenas se sabe que eh amor, e pronto. Se ama.


30 de novembro de 2011

Sozinha

Eu lembro que por muito tempo carreguei um medo indescritivel de ficar sozinha. A primeira recordacao vem quando me via aos prantos no pre-escolar se minha mae atrasasse miseros cinco minutos para vir me buscar. Eram os cinco minutos na conta da eternidade. Era como se o mundo fosse acabar. Porque eu estava sozinha. E assim, apos crescer e criar mais vinculos fora do circulo familiar, foi acontecendo a transferencia dessa necessidade para todas as outras relacoes. A cada colegio novo, tinha medo de nao ter amigos, a cada nova casa, medo de nao conhecer nenhum vizinho, e a cada novo namorado medo de ser abandonada. Era como seguir um padrao. A falta de auto-confianca que carreguei por tanto tempo (nao posso dizer que me livrei dela totalmente, mas enfim... outra historia, outro dia...) ia matando minha liberdade e a liberdade das minhas relacoes. Eu sempre precisei me sentir tao querida e amada, e implorei tanto por isso, que muitas vezes ganhei falsas e forcadas demonstracoes de afeto. Lembro que acabava um namoro e ficava pensando imediatamente que nunca mais ia conseguir ser amada (preste atencao,  nao pensava em amar de novo, pensava em alguem me amar de novo...) e talvez por isso me segurava a relacoes ja mortas com tanta forca que cheguei a machucar as maos nos espinhos de rosas secas mais vezes que me lembro contar.
O que pude observar depois - depois de anos passados, depois de licoes aprendidas, de mais e mais licoes praticas de relacoes humanas - foi o quanto isso eh mais comum do que se imagina.
Inumeras pessoas passam pela mesma situacao, pela necessidade de afeto expositivo, pelo por favor nao me deixe sozinha... e nisso abdicam de inumeras coisas que fazem parte da sua essencia, para preservar relacoes muitas vezes tao falsas, exatamente por serem alicercadas nessas mentiras de personalidade.
Eu menti para mim mesma tantas vezes... E nesse texto cheio de reticencias representando meus pensamentos que nao se encaixam num modelo padrozinado de comeco meio e fim, venho expressar minha alegria por me ver hoje tao mais independente de outros para auto-felicidade. Acho que deixei de querer tanto os outros quando descobri tudo que ha em mim. Ficar sozinha nao eh um deserto, nao eh solidao, eh como um oasis, uma redescoberta, um renascimento.
Quando comecei a me amar mais, passei a aproveitar o tempo comigo mesma como uma pequena dadiva. A aproveitar minhas melhores qualidades, a remodelar meus grandes defeitos, a sentir e entender cada curva do meu corpo, cada curva da minha mente.
Ficar sozinha nao eh ficar so, eh ficar comigo mesma. E, por hora, eu estou feliz assim.

21 de novembro de 2011

Madrugadas

Ora, ora. Por que gosto dele? Explica voce. pra mim nao faz mesmo sentido, e faz todo o sentido do mundo... Entao nao vou gastar saliva tentando explicar.
Sei apenas que ele chega e tudo mais perde brilho poque so tenho olhos pra barba mal feita e risos pras piadas infames.
Meus pensamentos sao dele porque ele eh, como dizem por ai, meio ogrodoce. E cada dia eh o mesmo tormento de esperar que ele seja menos ogro, mais doce. E vice-versa. Porque assim cada dia eh mais um dia. Um novo dia.
Percebi que gosto dele quando me vi dormindo com o celular embaixo do travesseiro para atender chamada de madrugada. -Ah, nao to fazendo nada muito importante agora nao. Se voce pode vir aqui? Claro, filme entao? Entao, de chinelo, short, cara lavada e camiseta folgada, pipoca de microondas, me preparo pra uma daquelas noites incriveis. Coisa idiota? Coisa de adolescente? Talvez.

Chamo de coisa de gente apaixonada.
Agora faz o favor de nao demorar muito a perceber... Juro que qualquer dia sou eu mesma capaz de te dizer.

(ouvindo musica legal e inventando uma historinha de fds. Se esse livro sai um dia? Diz ai vc se vale a pena.)

16 de novembro de 2011

Decisoes

Nao sou hipocrita. Me arrependo de muita coisa que fiz. Muita coisa que ninguem nem sabe que fiz. De muita decisao errada que tomei. De muita gente miseravel que apoiei. De muita noite mal dormida por consciencia pesada. Por erros de passado, que assombram o presente e atrapalham a visao clara do futuro.
Sinceramente n sei porque mantenho esse blog. Nao queria que ninguem lesse o que escrevo, nunca quis. Nao quero que ninguem descubra nada de mim, ou pior ainda, que pense que sabe alguma coisa sobre mim.
Nao quero ser julgada pelas cartas ja viradas do baralho. Mas va la que nao vou querer roubar do ser humano sua melhor habilidade, entao julguem como quiserem. Ja faz tempo que deixei de me importar.
As escolhas que faco nao sao minhas inumeras vezes. Nao voluntariamente minhas. Ou impassiveis de influencia do meio externo.
Tudo que eu queria era nao estar fazendo o que vou fazer agora.
Mas pra certas coisas nao ha remedio, e eu espero por essa noite conseguir dormir...
Isso se eu achar o caminho de casa. Seja la onde for minha casa, agora.

14 de novembro de 2011

Lei it be...

Hoje acordei inteira. Com todos os pedacos colados montando meu bonito vitral que insisto em consertar toda vez que um idiota quebra. Faz parte da vida... Eterna reconstrucao, descobrimento, vir a ser.

A minha satisfacao por nunca me achar completa me deixa feliz pela enorme gama de possibilidades que posso escolher, por tudo que posso ainda me tornar. Pelo tanto que a vida pode ainda me surpreender.
Por isso hoje resolvi deixar de me fechar as mudancas, e de tentar renegar o tempo, os gestos, a vida. Prestar atencao na fotografia. Na velha, preta e branca, e na nova, digital. Tentar colar os dois mundos. Como sempre tentei fazer. Juntar as coisas, conciliar. Como se eu realmente tivesse uma necessidade urgente por isso.

Importante foi parar de enxotar os amores. Aceitar as parcialidades, as imperfeicoes, arestas, origens, pensamentos... Ficar no meio termo entre a descrenca em toda e qualquer forma de amor e a crenca no principe encantado. Ficar no lugar mais adequado, sentada na beira da vida, com os pes se molhando de realidade, mas com os olhos mirando o horizonte, a lua, o sol, o ceu. O infinito de possibilidades mais uma vez...

Nego-me a acreditar em um amor da minha vida, e passo a conceber a ideia de amores para a minha vida... Nao um, mas varios, inumeraveis, catastroficas, catatonicos, pulsantes, irracionais... Imensuraveis.
Amor de mae, de pai, de irmao, de amigos, de amigas, de vizinho, de cachorro, de papagaio, de companheiro...
Porque hoje descobri que nao posso - nem vou - me apaixonar uma vez so, e perdidamente por ninguem. Porque descobri hoje que sou muito mais do tipo que ama o mundo, que quer abracar a vida e beber a taca cheia todo dia. Cheia de coisa viva, cheia de sentimento, cheia da minha insanidade meticulosamente controlada.
Ficar encarando a vida, vendo os caminhos que ela me da... Hoje estou com esse sentimento bom de dever bem cumprido... De que se tem uma coisa que estou fazendo direito, hoje, eh viver. Com toda a bonita definicao que essa palavra pode ter.

E foi por me ver tao feliz, que a vida sorriu de volta pra mim.



[...] para sermos felizes juntos. Eu disse que sim, claro que sim, muitas vezes que sim, e aquela voz repetiu e repetia que me queria desta vez ainda mais, de um jeito melhor [...]

1 de novembro de 2011

Simples assim

Tô cansada de correr. Você me avisa se um dia sentir saudade de mim, e então eu te falo se ainda estou pensando em você.

Insônias

Noites de insônia são ótimas. Nessas horas você realmente acredita que você passa sua vida quase inteira dormindo. Madrugadas podem ser sempre dolorosamente prorrogadas, e cada segundo entre as duas e três da manhã pode conter sua própria eternidade.
Quando todos já foram dormir, sem mais ruídos, sem mais cochichos, só você e o barulho de você mesmo.
Tempo pra pensar no que você fez, no que não fez, e muito tempo pra não pensar em coisa nenhuma.
Ócio.
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer. Hoje sei tão pouco de quase todas as coisas, apesar do muito mais que aprendi de ontem pra hoje. Isso só prova o quanto pouco eu sabia ao pensar que sabia mesmo de alguma coisa. Há sempre alguma coisa que a gente não consegue entender.
O som rouco e afinado da guitarra de Gessinger embala o que deveria ser minha canção de ninar. Nada como um guitarra elétrica... Nada como não ter hora para acordar pra não ter que ter hora pra dormir. Como se isso [entre tantas outras coisas] pudesse ser opcional.

Dia de caça

Soprei as areias do tempo que eu segurava na minha mão. Havia por fim desistido de te segurar e entreguei os pontos vagarosamente, soprando as areais da ampulheta que quebrei há pouco.
Destino, sem tino, sem remorso, sem culpa... Para onde me levas? O que me sobra? Se és tu que tudo governas, se és tu que já sabes o que vem depois do próximo suspiro, se és tu que vês o que acontece enquanto pisco os olhos, te peço melhor sorte, ou me entrego a tua soturna vontade?
Adiantaria aqui implorar para que o que quero esteja ao meu lado amanhã ao acordar?
Se eu hoje suplicar para que me dês o mais impossível dos favores, haveria a mínima possibilidade de você me escutar?
Estamos todos por fim fadados a assistir as voltas que a vida dá, enquanto você se ri das nossas desilusões, dos nossos destemperos, das nossas febres e preocupações vãs?
Destino, não é solitária essa vida de apenas nos ordenar? Vou tornar mais divertido para você.
Soprei os últimos grãos que levava na mão. Vou deixar você jogar como sabe, caçador, entreguei suas armas. No entanto, um recado final: Não é nem um pouco verdade que vou deixar você jogar sozinho. A vida precisa de dois jogadores. Dê as suas cartas então. A sorte pode virar cedo ou tarde. E não sou eu quem vai desistir agora. Amanhã pode ser dia da caça.

Pára!!!

Pára. Pára de me torturar com essa canção de amor que só me enche de saudade.

Alguém mais tá ouvindo meu coração cantar ou estou mesmo ficando louca?

Complicadores da realidade!!!

Eu não sei amar.
Enquadro-me na classe de pessoas mais difíceis de lidar: sou um clássico complicador da realidade. É, esse é o termo. Complicador. E não só para a vida amorosa, complico tudo na vida mesmo. É minha maior habilidade: deixar tudo parecendo mais difícil, e perder noites de sono e dias de trabalho com isso. Realmente, sou muito muito boa.
Mas é no amor que ganho todos os prêmios de melhor atuação. Consigo afungentar todos os possíveis amores da minha vida. Porque parece que o cupido é sempre meio lerdinho comigo, e as pessoas gostam sempre primeiro de mim, e não dá tempo pra eu me adaptar, me apaixonar, tem já alguém me oferecendo aquele amor puro e bonito antes mesmo de me dizer oi. Que fique bem claro: amor a primeira vista pode até existir MAS NUNCA ACONTECEU COMIGO!!!!
Mas é injusto você me apontar o dedo e me condenar a solteirice eterna, ou a bancar de tia sem ouvir minha história. Não é porque sou um alter-ego suprimido do universo que você considera realidade que não tenho sentimentos. Tenho-os e em grande cota, então vamos lá, ouça minha história.
Já amei, mas isso foi há muito tempo. E até mais de uma vez.. Quando eu acreditava em muita coisa que hoje não acredito mais. Ou finjo que não acredito e escondo de mim mesmo, num lugar bem escondido no fundo do coração machucado. Porém, digamos, para não citar nomes nem acusar pessoas pelas suas decisões - não julgo ninguém por escolher o melhor pra si, embora isso possa categoricamente f. com sua vida - que não foi de uma vez que morreram os sonhos e certa maneira de sentir as coisas. De uma vez só não, sejamos sinceros e assumamos que dor de amor dura muito tempo, e eu sei muito bem como prolongar sofrimento. Mas enfim, águas passadas.
Hoje ando esperando o tal amor, mas é uma espécie de busca descompromissada, onde a gente quem sabe vai se esbarrar algum dia, mas ninguém procura por ninguém. Deixa a vida levar o tempo que ela quer levar, se é que ela se importa mesmo com isso. As outras histórias, meias histórias, ou histórias inteiras, terá sido amor também? Não sei. Pergunta de novo daqui a uns tempos, quando for só lembrança e não doer mais o tantinho que ainda me dói.
De verdade, me pego às vezes pensando que não vou conseguir amar ninguém, vou ficar indo de um relacionamento a outro e sempre pulando fora quando o negócio ameaçar ficar sério. Caso clássico de complicadr da realidade que ainda tem medo de se meter em sofrimento.
Aprende, gata, que sem sofrer um pouquinho, você vai perder toda a parte divertida da vida. Não tem como separar, tá tudo misturado mesmo. Não dá pra escolher um lado só.

Se cuida, e vai ser feliz, vai.

"Será que alguém já te fez chorar
Mesmo sem ter proferido uma palavra?
E o que você fez? tentou lutar?
Ou compôs uma canção indo pra casa?"




Onda T

Odeio o amor.
O teu amor
Ou o erro de todos os amores.

Odeio as ausências em todas as partes
se fazendo presente em cada estúpido desvaneio.

Odeio o quanto eu me assusto
com a dor, com o medo do medo, com o medo da dor.

Não é o fim, mas também não é o começo.
Fico entre o não e o sim.
Escolho não decidir
Escolho me eximir da culpa de errar de novo
de amar de novo
de sofrer de novo

porque eu não sei te amar,
ou amar qualquer um.
Não sei confiar em amor nenhum
acreditar em sonho bom.

Meu coracao nao sabe descansar, confiar
estabilizar.

Vivo de arritmia,
de cansaço,
de angústia,
de desesperança
de desespero.

Ondas T de saudade de quando eu não pensava tanto
no porque de cada coisa ao redor de mim.

19 de outubro de 2011

The wheel breaks the butterfly...

CANSEI!!!!

Cansei de tentar bancar personagens para agradar mais a voce, que nem se importa direito comigo, que nem sabe quem sou eu e me cobra por coisas que nem entende, que apregoa e nem vive.
Vamos voltar ao comeco. De novo e pela milesima vez. Sem vergonha por assumir que peguei o caminho errado - de novo.
Cansei de ser a boazinha, a estudiosa, a dedicada, organizada. Cansei de assumir e tentar cumprir os rotulos que voces me deram.
Quero ser eu mesma, e nao por um dia, por uma vida. Quero poder me despentear, correr na chuva, gritar porque meu time fez gol, beber minha cerveja porque to estressada e preciso relaxar, e ler meus livros que nao te fazem nenhum sentido, e ouvir minhas musicas que voce nao entende, nao gosta e recrimina, assumir que tenho medo de caminhar no escuro e que nao gosto de ficar sozinha de noite porque comeco a pensar um monte de besteira.
Assumir que amo quando amo, que nao gosto quando nao me agrada. Ter coragem de dizer que voce me machucou e perder esse medo bobo de nunca falar nada do que sinto para nao machucar voce.
Quero comecar a pensar em mim. Quero ser egoista, quero mesmo. Quero pensar na minha alegria, em provocar minha felicidade. Quero parar de deixar que as pessoas facam comigo o que bem entendem.
Que me deem conceitos bobos de vida para seguir. E conselhos hipocritas. E regras inuteis.
Quero a vida na sua essencia e ate a ultima gota e quero do meu jeito, meio boemio meio intelectual. Meio anti-social por uns dias, meio nerd em outros, meio miss popularity em alguns raros eventos.
Quero ser exatamente a mistura de todas as coisas que sou.
Quero usar as palavras que sei mas nunca usei. Porque nunca me deixaram usar. Porque eu me deixei reprimir, suprimir ate o maximo possivel que antecede a uma explosao nuclear.
Quero dizer que te gosto, ou que te odeio, ou seja la o que eu sinta por voce.
Quero pedir desculpas todas as vezes que machucar. Assim naturalmente. Como quem sabe que faz merda vez ou outra. E explodir de sentimento como faco por dentro tambem do lado de fora. E sorrir mesmo, e gargalhar muito. Sem vergonha.
Perder a obrigacao de estar bonita o tempo todo. Quero que me sintam bonita. Que bonita em mim seja um estado de espirito. Nao dependente de roupas, brincos, batom, lapis, blush e tudo mais. Que eu exale beleza pelos poros. Beleza de vida. Beleza de sentimento. De desejo de ser feliz. Que alguem se encante por mim por causa do cheiro da minha beleza.
Quero ter direito aos meus paradoxos existenciais, metaforas filosoficas e piadas bioquimicas sem graca nenhuma. Quero ter direito ao meu proprio curso de pensamento. Sem interferencias das sintonias estranhas da humanidade.
Quero nao me sentir tao mal quando meus planos nao derem certo para um dia. Quero esperar pelo outro dia. E pelo dia depois dele. Sem pressa para me estressar. Sem prazos para me desesperar.
Quero a vida no compasso que ela deve ter. Sem a frenetica necessidade de vencer. Vencer a quem? Vencer o que?
Quero sentar na varanda de casa com um livro e meu pedaco de goiabada com creme de leite. 
E meus discos de MPB. Quero dirigir numa highway com vento no cabelo ate ele dar tanto no que vou passar mais de uma feliz hora tentando desembaracar depois. Ouvindo blues americano no maior volume possivel.
Quero amigos de sorrisos faceis no final da sexta feira depois do trabalho... Quero encontrar todo mundo que trago no coracao numa mesa cheia de comida e bebida ate a manha do sabado. Com muitos risos pra distribuir e historias para contar e para ouvir.
Quero um domingo com meu pai assistindo jogo do santa... E gritando apos cada gol, apos cada finalizacao frustrada... Quero ir cozinhar pra minha mae e esperar ela vir na cozinha a cada dez minutos pra me dizer pra cortar o tomate mais fininho ou que nao e´ desse jeito que se cozinha aquele tipo de carne. Quero ir as compras com minha irma e ve-la gastando horas tentando me fazer gostar de uma bolsa.
Quero as coisas que me fazem bem. E quero tudo, quero agora. E para sempre. Do jeito que eu quiser. E pedir demais eu sei... Mas nao custa sonhar.


Saudade da parte de mim que ficou la.





When she was just a girl
She expected the world
But it flew away from her reach
And bullets catch in her teeth
Life goes on
It gets so heavy
The wheel breaks the butterfly
Every tear, a waterfall
In the night, the stormy night
She closed her eyes
In the night
The stormy night
Away she flied
I dream of para-para-paradise
Para-para-paradise
Para-para-paradise
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh
She dreamed of para-para-paradise
Para-para-paradise
Para-para-paradise
Whoa-oh-oh oh-oooh oh-oh-oh
La-la-la-la-la